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Precificação correta (formação de preço): o que realmente define o valor do seu produto ou serviço

Atualizado: 15 de abr.


Um dos erros mais comuns e mais perigosos dentro de pequenas e médias empresas está na formação de preço. Muitos empresários definem seus preços com base no mercado, no concorrente ou até na intuição. O problema é que, sem entender a estrutura de custos e a margem necessária, o preço pode até gerar vendas, mas não garante lucro.


Precificar corretamente não é apenas “colocar um valor”. É garantir que a empresa seja sustentável.


O erro mais comum: vender sem saber se dá lucro


Na prática, muitos empresários acreditam que preço é algo simples: olham o concorrente, ajustam um pouco para cima ou para baixo e colocam o produto no mercado. O problema é que esse tipo de decisão ignora a estrutura real do negócio.


Para precificar corretamente, é preciso considerar três elementos principais:


1. Custos diretos


Tudo que está diretamente ligado ao produto ou serviço.


Exemplos:


  • matéria-prima

  • insumos

  • materiais

  • comissões diretas

  • custos específicos do serviço


2. Custos indiretos (ou despesas)


Estrutura necessária para a empresa funcionar.


Exemplos:


  • aluguel

  • energia

  • internet

  • salários administrativos

  • marketing

  • sistemas

  • impostos fixos


3. Margem de lucro


O retorno que justifica o risco do negócio.


Ela precisa cobrir:


  • risco do negócio

  • crescimento

  • reinvestimento

  • remuneração do empresário


Sem margem:


  • a empresa não cresce

  • não investe

  • não suporta crises


Exemplo 1: Precificação de uma pizza


Custos diretos por pizza

Item

Valor (R$)

Massa

3,00

Molho

2,00

Queijo

8,00

Recheio

7,00

Embalagem

2,00

Total

22,00


Custos indiretos mensais

Descrição

Valor (R$)

Aluguel

3.000

Energia

1.500

Funcionários

7.000

Marketing

1.000

Sistema/Apps

500

Outros

1.000

Total

14.000


Produção mensal: 1.400 pizzas


👉 Custo indireto por pizza:


R$ 14.000 ÷ 1.400 = R$ 10,00


Formação do preço

Etapa

Valor (R$)

Custo direto

22,00

Custo indireto

10,00

Custo total

32,00

Margem desejada (40%)


Preço ideal

≈ 53,00


Onde muitos erram (caso real)


O empresário olha o concorrente vendendo a R$ 45 e decide:

“Vou vender a R$ 44 para ser mais competitivo”


Resultado:


  • custo real: R$ 32

  • venda: R$ 44

  • lucro bruto: R$ 12


Mas desses R$ 12 ainda saem:


  • taxas de delivery

  • impostos sobre venda

  • perdas


O lucro real pode cair para R$ 5 ou menos. Agora multiplique isso por meses.

A empresa gira, mas não constrói caixa.


Problema:


  • você não conhece o custo dele

  • ele pode estar errado

  • ele pode estar quebrando


Concorrente não define sua estrutura


Exemplo 2: Manutenção elétrica


Custos diretos por serviço

Item

Valor (R$)

Deslocamento

20,00

Materiais

35,00

EPIs / desgaste

5,00

Total

60,00


Custos indiretos mensais

Descrição

Valor (R$)

Combustível

1.200

Manutenção veículo

600

Ferramentas

400

Marketing

500

Impostos

900

Administração

400

Total

4.000


Atendimentos/mês: 80


Custo indireto por serviço: R$ 4.000 ÷ 80 = R$ 50,00


Mão de obra

Item

Valor (R$)

Valor/hora desejado

60,00

Tempo médio

2h

Total

120,00


Formação do preço

Etapa

Valor (R$)

Custo direto

60,00

Custo indireto

50,00

Mão de obra

120,00

Custo total

230,00

Margem (30%)


Preço ideal

≈ 330,00


Se você é do ramo de serviços, pode estar com essa sensação:


  • trabalha muito

  • não cresce

  • não consegue escalar

  • acha que precisa de mais clientes

  • a situação apenas piora


Empresas que não dominam sua precificação vivem presas a um ciclo silencioso e perigoso. Trabalham muito, vendem, têm movimento, mas no final do mês a sensação é sempre a mesma: esforço alto e resultado baixo. O dinheiro entra, mas não fica. O crescimento até acontece, mas sem consistência, sem margem e com alto risco. É um modelo que cansa, desgasta e, com o tempo, compromete a sustentabilidade do negócio.


Por outro lado, empresas que entendem seus números operam em outro nível. Elas sabem exatamente quanto precisam cobrar, conhecem sua estrutura de custos e tomam decisões com base em dados, não em suposições. Isso permite ajustar preços com segurança, reposicionar produtos, melhorar margens e construir uma operação mais eficiente. Não se trata apenas de ganhar mais, mas de crescer com controle.


No fim, a diferença entre essas duas realidades não está no esforço, mas na gestão. Precificar corretamente não é apenas uma questão financeira é uma decisão estratégica que define o futuro da empresa. Porque, mais do que vender, o que sustenta um negócio no longo prazo é a capacidade de gerar lucro com consistência e inteligência.

 
 
 

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