Precificação correta (formação de preço): o que realmente define o valor do seu produto ou serviço
- Gabriel Ramos

- 30 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de abr.

Um dos erros mais comuns e mais perigosos dentro de pequenas e médias empresas está na formação de preço. Muitos empresários definem seus preços com base no mercado, no concorrente ou até na intuição. O problema é que, sem entender a estrutura de custos e a margem necessária, o preço pode até gerar vendas, mas não garante lucro.
Precificar corretamente não é apenas “colocar um valor”. É garantir que a empresa seja sustentável.
O erro mais comum: vender sem saber se dá lucro
Na prática, muitos empresários acreditam que preço é algo simples: olham o concorrente, ajustam um pouco para cima ou para baixo e colocam o produto no mercado. O problema é que esse tipo de decisão ignora a estrutura real do negócio.
Para precificar corretamente, é preciso considerar três elementos principais:
1. Custos diretos
Tudo que está diretamente ligado ao produto ou serviço.
Exemplos:
matéria-prima
insumos
materiais
comissões diretas
custos específicos do serviço
2. Custos indiretos (ou despesas)
Estrutura necessária para a empresa funcionar.
Exemplos:
aluguel
energia
internet
salários administrativos
marketing
sistemas
impostos fixos
3. Margem de lucro
O retorno que justifica o risco do negócio.
Ela precisa cobrir:
risco do negócio
crescimento
reinvestimento
remuneração do empresário
Sem margem:
a empresa não cresce
não investe
não suporta crises
Exemplo 1: Precificação de uma pizza
Custos diretos por pizza
Item | Valor (R$) |
Massa | 3,00 |
Molho | 2,00 |
Queijo | 8,00 |
Recheio | 7,00 |
Embalagem | 2,00 |
Total | 22,00 |
Custos indiretos mensais
Descrição | Valor (R$) |
Aluguel | 3.000 |
Energia | 1.500 |
Funcionários | 7.000 |
Marketing | 1.000 |
Sistema/Apps | 500 |
Outros | 1.000 |
Total | 14.000 |
Produção mensal: 1.400 pizzas
👉 Custo indireto por pizza:
R$ 14.000 ÷ 1.400 = R$ 10,00
Formação do preço
Etapa | Valor (R$) |
Custo direto | 22,00 |
Custo indireto | 10,00 |
Custo total | 32,00 |
Margem desejada (40%) | |
Preço ideal | ≈ 53,00 |
Onde muitos erram (caso real)
O empresário olha o concorrente vendendo a R$ 45 e decide:
“Vou vender a R$ 44 para ser mais competitivo”
Resultado:
custo real: R$ 32
venda: R$ 44
lucro bruto: R$ 12
Mas desses R$ 12 ainda saem:
taxas de delivery
impostos sobre venda
perdas
O lucro real pode cair para R$ 5 ou menos. Agora multiplique isso por meses.
A empresa gira, mas não constrói caixa.
Problema:
você não conhece o custo dele
ele pode estar errado
ele pode estar quebrando
Concorrente não define sua estrutura
Exemplo 2: Manutenção elétrica
Custos diretos por serviço
Item | Valor (R$) |
Deslocamento | 20,00 |
Materiais | 35,00 |
EPIs / desgaste | 5,00 |
Total | 60,00 |
Custos indiretos mensais
Descrição | Valor (R$) |
Combustível | 1.200 |
Manutenção veículo | 600 |
Ferramentas | 400 |
Marketing | 500 |
Impostos | 900 |
Administração | 400 |
Total | 4.000 |
Atendimentos/mês: 80
Custo indireto por serviço: R$ 4.000 ÷ 80 = R$ 50,00
Mão de obra
Item | Valor (R$) |
Valor/hora desejado | 60,00 |
Tempo médio | 2h |
Total | 120,00 |
Formação do preço
Etapa | Valor (R$) |
Custo direto | 60,00 |
Custo indireto | 50,00 |
Mão de obra | 120,00 |
Custo total | 230,00 |
Margem (30%) | |
Preço ideal | ≈ 330,00 |
Se você é do ramo de serviços, pode estar com essa sensação:
trabalha muito
não cresce
não consegue escalar
acha que precisa de mais clientes
a situação apenas piora
Empresas que não dominam sua precificação vivem presas a um ciclo silencioso e perigoso. Trabalham muito, vendem, têm movimento, mas no final do mês a sensação é sempre a mesma: esforço alto e resultado baixo. O dinheiro entra, mas não fica. O crescimento até acontece, mas sem consistência, sem margem e com alto risco. É um modelo que cansa, desgasta e, com o tempo, compromete a sustentabilidade do negócio.
Por outro lado, empresas que entendem seus números operam em outro nível. Elas sabem exatamente quanto precisam cobrar, conhecem sua estrutura de custos e tomam decisões com base em dados, não em suposições. Isso permite ajustar preços com segurança, reposicionar produtos, melhorar margens e construir uma operação mais eficiente. Não se trata apenas de ganhar mais, mas de crescer com controle.
No fim, a diferença entre essas duas realidades não está no esforço, mas na gestão. Precificar corretamente não é apenas uma questão financeira é uma decisão estratégica que define o futuro da empresa. Porque, mais do que vender, o que sustenta um negócio no longo prazo é a capacidade de gerar lucro com consistência e inteligência.




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